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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

NANÃ – A Mais Velha do Reino dos Céus



NANÃ – A Mais Velha do Reino dos Céus

É vodun (orixá) da nação Gêge, de tempos imemoriais. Está associada aos mitos da criação da Terra, sendo a precursora de todas as divindades que têm o poder de gerar a vida. É o lado feminino dos criadores do mundo. Grande Senhora das terras molhadas e fecundas, com a qual foram criados todos os seres, reina na lama, que formou a Terra, nas águas paradas e pântanos. Ao mesmo tempo em que dá vida às criaturas, faz com que retornem ao seu elemento de origem para, mais tarde, renascerem na Terra, formando o ciclo da vida e da morte. Por isso, nós acreditamos que o corpo, após a morte, deve ser devolvido à terra, de onde ele saiu um dia. Nana, pelo fato de ser um dos primeiros orixás criados por Olorun, é caracterizada como uma anciã, ou uma avó. Novamente, caímos no erro de comparar uma energia sobrenatural, que é o orixá, com simples mortais, atribuindo-lhes uma idade cronológica humana. É guardiã do reinado dos eguns e ancestrais, assim como seu filho Obaluaiê, usando o ibiri (espécie de bastão ritual com a ponta curva, confeccionado com palha da costa e búzios) como elemento controlador e genitor. Sua existência vem de tempos remotos, anteriores à descoberta do ferro, por isso, em seus rituais, não devem ser utilizados objetos cortantes de metal. Nunca devemos evocá-la sem um motivo muito forte. Mesmo seus próprios filhos. É um orixá muito poderoso e de tendência devastadora, quando provocado. Seus preceitos são extremamente complexos e ricos em detalhes. Se o babalorixá não tiver perícia e conhecimento, poderá cometer erros que serão fatais, tanto para ele como para o iniciado. Raramente um filho Nana é incorporado por sua energia, sendo que suas aparições nos terreiros têm um intervalo mínimo de três anos. Quando alguém a incorpora, deve-se interromper o xirê para saudá-la em especial. Coloca-se, em suas mãos, um cajado de ponta curva, recoberto de búzios, e uma base de palha desfiada, com o qual ela insinua uma varredura do ambiente, limpando-o de todas as más influências. Se a noviça não estiver paramentada com as roupas rituais, amarra-se um torço na cabeça, juntamente com algumas folhas especiais de Nana (mamona, flor da noite, etc.), recobrindo os olhos. Os voduns Gêges não costumam revelar seu rosto. Os fundamentos necessários para louvar esse orixá pertencem à cultura Gêge. Mesmo que existam filhos de Nana em outras nações, todos os preceitos devem ser feitos dentro dos rituais desta nação. Nana vive nas madrugadas, quando o orvalho umedece a terra. Por isso, só aceita oferendas em sua homenagem após as três horas da manhã, quando o sol ainda não se levantou. O babalorixá não deve deixar esses ebós à mostra, e deverá abandonar o local dos rituais rapidamente, pois existe o risco de aparecerem cobras perto da comida. Os búzios também fazem parte de seus paramentos, ornando seu cajado, o ibiri e o brajá. Dia da semana: terça-feira e sábado. Cores: branco, preto, roxo e azul. Domínios: lama, pântanos, lodo do fundo dos rios e mares.

Axé a todos
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com

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