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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO




O Evangelho é regra de conduta


Com o conhecimento e aceitação da fé raciocinada, fica mais fácil o controle das nossas ações. Ficamos cientes que elas geram reações iguais e contrárias. Se a ação for boa, a reação também o será. Se for má, porém, as conseqüências não podem ser agradáveis. É tão óbvia a conclusão que não há quem não entenda.

Ao partir desta premissa, compreendemos com mais clareza o Evangelho de Jesus e a sua proposta de amor ao próximo.
Independente de quem seja ele, é alguém que luta com as mesmas dificuldades que nós e é nosso parceiro nesta dura caminhada. Todos os seres viventes nos influenciam e são influenciados pelo nosso comportamento. Em O Livro dos Espíritos, questão 825, quando indagado aos Espíritos se “há no mundo posições em que o homem pode gabar-se de gozar de uma liberdade absoluta”, foi respondido que “não, porque todos têm necessidade uns dos outros, tanto os pequenos como os grandes”.

Para exemplificar, podemos analisar alguns contatos triviais que somos obrigados a manter com o nosso próximo, o que nos faz dele dependentes.

Ele produz o transporte que nos leva ao trabalho; planta o alimento que comemos; cuida das nossas enfermidades e produz os remédios que nos curam; oferece o lazer para que possamos suavizar nosso fardo, evitando o estresse e a depressão; recolhe as sobras da nossa casa para manter a cidade limpa e livrá-la das epidemias; mantém as redes de água, esgoto, luz, telefone e tantos outros serviços sem os quais é difícil viver; são os professores dos nossos filhos ajudando-nos a formá-los e educá-los; fabricam as roupas que vestimos; enfeitam-nos; escutam as nossas queixas e nos orientam. São apenas algumas situações corriqueiras.

Ninguém vive só. Pelo gregarismo do homem, ele precisa do convívio com o semelhante. Ainda que seja só para dialogar ou trocar idéias. É difícil viver na solidão!

Necessitam do próximo, tanto o mendigo quanto o presidente. O rei e o súdito. O alegre e o triste. O cristão e o ateu. O rico e o pobre. O erudito e o ignorante.

É preciso que tenhamos respeito pelo próximo. Jamais humilhá-lo e nunca ter preconceito social, religioso, racial ou ante as deficiências físicas. Um aleijado lúcido terá para oferecer-nos mais inteligentes e úteis orientações que um atleta sadio que apenas pense no corpo. Este também precisa do aleijado para esclarecer-se ante as sutilezas da vida e aprender a resignar-se diante de eventuais limitações. O físico inglês Stephen Hawking é um expressivo exemplo.

Quando corretamente analisado, constatamos que o Evangelho de Jesus é um manancial de informações indispensáveis para o bem viver. Não é um texto místico, mas um código de vida. É para ser aplicado no dia-a-dia e tê-lo como suporte de sobrevivência. Uma bóia de salvação contra os afogamentos sociais.

Quem mais lucra no convívio com o próximo somos sempre nós mesmos. Qualquer que seja a atitude do outro ele é um livro que lemos e aprendemos com ele. Aprender o que e como fazer e, também, o que e como não fazer.

O próximo é o instrumento para o exercício da nossa caridade. Quem é médico, não vive sem o paciente; quem é humorista, não vive sem a platéia; quem é esportista, não vive sem o público; quem é vendedor, não vive sem o cliente; quem escreve precisa do leitor. Em certas situações servimos, em outras, somos servidos.

Devemos amar o próximo não apenas porque isso representa um gesto de fraternidade. Devemos amar o próximo porque não existe alternativa. Estamos irremediavelmente ligados aos outros nas vinte e quatro horas do dia. Tudo o que usamos foi feito por alguém. E quando somos nós o fabricante, dependemos de outros que usem o que produzimos.

Essa é a razão por que Deus ao criar a Terra colocou em cada país, em cada raça, em cada povo, um tipo de riqueza diferente. Riqueza material e capacidade intelectual. Sempre respeitada a sua condição espiritual e a situação evolutiva em que se encontra cada um. Parece que o planeta nasceu de uma explosão aleatória. Fácil perceber, porém, que tudo foi comandado!

Há países riquíssimos em petróleo que não têm uma gota de água potável em seu território. Precisam comprar fora, e para tanto usam os lucros obtidos com a venda do seu mineral. Pelo fato de cada país ter sua própria riqueza é que nasce o intercâmbio para a troca de bens.

Em certas ocasiões vemos ditadores de nações, e atualmente os temos em quantidade, que de maneira arrogante impõem sanções e condições violentas para defender sua riqueza. Perda de tempo. Todas dependem das trocas porque não há um só produto que sirva para tudo, por mais nobre e precioso que seja. Ninguém come ouro ou bebe gasolina, por mais valor que eles tenham e por mais caro que custem.

Lembremos de antigo pensamento que nos serve de alerta: Quando moço, o homem gasta toda a sua saúde para ter um pouco de dinheiro; quando velho, gasta todo o seu dinheiro para ter um pouco de saúde. Irônico, não?

Apesar de serem necessárias dezenas, centenas ou milhares de moedas para a compra de apenas uma unidade de outro dinheiro, isso em nada altera a interdependência dos homens. O país mais rico do mundo, os Estados Unidos da América do Norte, precisa dos compradores que vivem nas miseráveis América Central e do Sul, além do grande México, da mesma América do Norte. O grande supermercado norte-americano não pode dispensar uma clientela de aproximadamente 600 milhões de pessoas, por mais bárbaros que eles nos considerem. Cada americano depende de um subdesenvolvido para viver.

Ame o próximo. Ajude-o a viver, se você quiser viver também. Facilite para que ele tenha comida e não precise agredi-lo para conseguir. A violência do mundo tem raízes nas diferenças espirituais, mas, também, nas desigualdades sociais. E os que oprimem e são prepotentes porque são ricos, acabam por serem as maiores vítimas da violência. A proposta de Jesus não é um mero conselho, mas uma advertência que nos dá conta de que não temos saída. Ou seremos todos relativamente felizes ou os que são infelizes não deixarão viver os mais afortunados. O esquema é perfeito para que aprendamos, queiramos ou não. É o determinismo a impulsionar-nos para o alto.

Não é mais o tempo de usar o Evangelho só nas reuniões dos templos ou nos cultos dos lares. É tempo de viver o dia-a-dia com o Evangelho na alma. Ele deve nos servir de roteiro e ser usado como regra de conduta. Quem acreditar nesta verdade, sofrerá menos.



Salve todos Irmãos de Fé
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com

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