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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

REENCARNAÇÃO: BUSQUE SENTIDO E NÃO PROVAS



REENCARNAÇÃO: BUSQUE SENTIDO E NÃO PROVAS

O falecido Carl Sagan uma vez perguntou aoDalai Lama o que ele faria se a ciência colocava em dúvida um princípio fundamental do Budismo Tibetano, a reencarnação. O Dalai Lama respondeu com um sorriso: "Vai ser difícil de refutar a reencarnação." A doutrina da reencarnação é pouco peculiar ao budismo. É proeminente em outras religiões orientais, bem como em algumas culturas tropicais. Para os pitagóricos, que manifestam ao mesmo tempo tendências místico-religiosas e tendências científico-racionais, reencarnação fez parte de sua metafísica, como defenderam Platão e, mais tarde, Schopenhauer. Hoje nos Estados Unidos, mais de um quarto dos entrevistados dizem acreditar na reencarnação - entre eles, provavelmente, alguns devotos do poeta falecidoJames Merrill, notório pela narrativa épica de comunicação com os espíritos ocultos e anjos.

Não há dúvida que aceitar a reencarnação consiste em abalar uma série de convicções do homem moderno. Mas seus indícios a tornariam tão irrefutável como defende o Dalai Lama? Poderíamos começar com a simples observação de que, há um século, a população do mundo era bem menos de dois bilhões de dólares, enquanto hoje é de seis bilhões. Por uma questão de necessidade matemática, a maioria das pessoas vivas hoje não pode ser re-incorporada a versões de pessoas que morreram pouco antes de seu nascimento.

Aqueles que acreditam em reencarnação — entre os quais me incluo — teriam dificuldade em contornar este argumento demográfico, mas a “ajuda” veio dos espíritos, com uma informação plausível aos crentes e meramente fantasiosa aos céticos: as almas extras viriam de outras partes do universo. Isto preservaria o sentido principal da teoria, segundo a qual o espírito não é destruído pela morte do corpo, sua simples e transitória habitação.

Mas isso, admito, levanta uma segunda objeção à reencarnação. Como pode o meu ego, que é tão intimamente ligado com as estruturas do meu cérebro, sobreviver à sua desintegração na morte? Os reencarnacionistas têm uma resposta pronta para esse argumento. O cérebro, dizem eles, é como um rádio. Quando ele estiver danificado, a música fica distorcida. Quando é quebrado, a música pára completamente. Mas mesmo assim as ondas de rádio ainda estão lá fora, para ser recebido. Um novo rádio pode buscá-las, desde que sintonizado na frequência correta.

Se a reencarnação não pode ser descartada em razão empírica, talvez possa ser desacreditada pelo rigor científico. Alguns filósofos têm argumentado que a própria idéia da reencarnação é incoerente. Eles insistem sobre a necessidade de identidade do corpo, como condição necessária para a identidade pessoal. Tal visão, embora coerente, não leva em conta a teoria das vidas sucessivas e da autonomia do espírito, que não guarda qualquer dependência do corpo depois da morte. E mesmo alguns aspectos de sua personalidade poderiam sofrer alguma mudança com o esquecimento que é um dos pressupostos de uma nova vida.

Vamos girar em torno da questão, então. Se é difícil abalar a fé de um crente na reencarnação, é mais fácil de sacudir a incredulidade de um cético? É justamente o que buscam alguns cientistas, muitos deles ateus, mas fascinados pelo tema. É o que acontece com Ian Stevenson, um psiquiatra do corpo docente da Universidade de Virgínia, que por quatro décadas recolheu provas de vidas passadas através de testemunhos. Stevenson investigou cerca de três mil casos de reencarnação possível em cinco continentes. O jornalista Tom Shroder, do Washington Post, acompanhou Stevenson em viagens de campo para o Líbano e Índia. Inicialmente cético sobre a reencarnação, Shroder acabou escrevendo um livro simpático ao tema, “Almas Antigas” (Old Souls: The Scientific Evidence for Past Lives - Simon & Schuster, 1999).

Ele demonstra que Stevenson documentou “provas” espontâneas, a partir de memórias relatadas por crianças pequenas e que contém detalhes íntimos da vida de uma pessoa falecida. No Líbano, por exemplo, um menino "lembra" quando tinha 25 anos de idade, era mecânico e morreu em um acidente de carro em uma estrada da praia perto de Beirute. Stevenson verifica o conhecimento do menino do nome do motorista, o local exato do acidente, os nomes de família do mecânico e amigos, e muitos outros detalhes.

Os casos relatados por Stevenson são estranhos à primeira vista, mas a prova quase sempre acaba por ser contaminada pelo contato entre a família da criança e a família do falecido antes do pesquisador chegar à cena. Declarações envolvendo auto-engano, o desejo da realização e a fraude nunca pode ser completamente excluídos. E há um problema mais profundo, que eu chamaria de “dilema teórico da reencarnação”. Afinal, a "memória" de uma vida passada poderia ser checada por um investigador? Isto porque a investigação em si, se não criteriosa, levanta elementos e informações que poderiam ser sugestionadas pelos envolvidos, desejosos em confirmar a teoria, seja por razões emocionais ou religiosas.

Por este motivo, embora tenhamos elementos substanciais que comprovariam a reencarnação — notadamente exemplos como os livros "A Volta", Editora BestSeller-Record, sobre James Lenningfer; "Crianças e suas vidas passadas" e "O amor me trouxe de volta", de Carol Bowman; e “Minha Vida na Outra Vida”, de Jenny Cockell — é forçoso admitir que a crença em vidas passadas e na eternidade do espírito, através da reencarnação, depende substancialmente da simpatia pelo tema. Não busque provas irrefutáveis, pois elas jamais virão, embora a comprovação de sua inexistência seja igualmente impossível. Pense apenas que a reencarnação, assim com o a teoria da evolução do espírito, é a idéia que melhor consola a inteligência humana. É a que dá sentido à vida e, principalmente, às tragédias e aparentes injustiças da existência do homem. Crer, portanto, é uma concessão a si mesmo e à possibilidade de existência de uma desejada Justiça Divina. Nenhuma outra teoria religiosa abrange tão bem as necessidades humanas quanto o Espiritismo e a reencarnação. Mas jamais sinta-se obrigado a concordar, apenas pense sobre o assunto e, assim como eu, talvez sinta-se melhor acreditando em sua possibilidade.

Salve todos Irmãos de Fé
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com

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