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terça-feira, 26 de julho de 2011

Batuque conheça esta religião africana




O Batuque Afrosul é uma religião que se destaca pela sua simplicidade e naturalidade, diferente das vertentes religiosas que cultuam as divindades Africanas aqui no Brasil. O Batuque se preocupou em manter a originalidade das divindades e sua liturgia, readaptando rituais e conceitos para a realidade Brasileira. Eu imagino que foi a melhor adaptação entre todas, isso se dá ao fato de conter um jogo divinatório voltado para o Òrìsà, diferente das demais vertentes religiosas que usufruem do sistema de Ifá(sistema divinatório através do Opele e ou Kawrí(s) usando o oráculo através do Odù) para que possa comunicar-se com as divindades.

Pela falta de comunicação, esta religião não fez “up-grade” conforme as demais. Isso foi bom para manter intactos seus rituais e conceitos, ao mesmo tempo em que cravou uma adaga na sua tradição, perdendo assim a lingüística e alguns pontos, que podem ser facilmente atualizados hoje, sem causar um rompimento na estrutura e tradição.
O batuqueiro contemporâneo está se preparando culturalmente para esta evolução, claro que o conhecimento desordenado pode dilacerar a antiga cultura desta comunidade, fácil observação entre os vários grupos que crescem e se destacam em todo o Brasil, porem, é no Sul do país que vemos a maior quantidade de pessoas tentando ajudar a reestruturar esta comunidade.
Rituais
Para o Batuque, a preparação para o nascimento ainda se resume a poucos rituais, como uma troca de vida, uma segurança para a gestante e ou o bebê que se prepara para a vida. Tais rituais possuem a finalidade trazer um bom caminho ao feto e fazer com que ele possa nascer saudável e com uma vida farta e próspera.
Outro ponto a discutir é o batizado. Muitas famílias Afrosul costumam levar seus filhos para batizar na igreja católica, ato que não concordo. Nego-me a pensar que um membro do Batuque tenha necessidade de ser batizado em qualquer outra religião, pois as iniciações tomariam esta posição. Então porque depender de uma religião ao qual não participa ativamente?
Eu penso que o ritual de iniciação desfaz qualquer vínculo com o batizado cristão. Afinal se retiramos a mão Vume, o batizado também é retirado no ato da iniciação. Então por que viver uma mentira, porque pensar que o batismo é necessário, quando, na verdade, ele se perderá no ato de uma primeira iniciação.
Um ritual muito comum para o recém-nascido é executar o sanapismo, um procedimento que envolve uma divindade, o bebê e o seu destino. Claro que o conceito não se exprime na mesma intensidade que na Tradicional Religião Yorùbá, mas, a grosso modo, tem a finalidade de assegurar o bem estar de aquele ser que acaba de nascer e resguardar até que chegue a maioridade. Em alguns casos, chegam até a efetuar um Oríbibo no recém-nascido, mas muito raro.
Conceitos e família
Mas, para o batuqueiro, de onde viemos e para onde vamos? Estas perguntas estão começando a serem feitas. Se estivermos vivendo esta realidade o que nos faz pensar que já tivemos aqui em algum momento? O Batuque começa a se perguntar de onde viemos, e para onde vamos, quando desencarnados, começa a pensar que a humanidade pode ir e vir tantas vezes quando puder, e fizer esta transição de forma evolutiva nos faz pensar: Como funciona este mecanismo?
Uma vez que, para o Batuqueiro nascer, crescer e aprender, se iniciar e se tornar um sacerdote, faz com que ele almeje algo mais além de simplesmente viver, este algo mais vai além dos rituais e mecanismos que o fazem viver, trabalhar e receber seu ordenado para sobreviver. Faz com que ele acredite que seus atos devam ser lembrados para que possa ser um dia cultuado no Ìgbalè (local sagrado onde são cultuados os ancestrais), com respeito e dignidade.
A harmonia é quebrada quando tais ciclos são interrompidos. Devo considerar um crime, quando vejo uma gestação sendo interrompida, quando um sacerdote pega um ‘Bo e o usa para feitiços, quando vemos um Ìgbalèsendo usado para feitiços e dano contra a comunidade. São atos que distorcem a espiritualidade e religiosidade, mas que fazem parte da realidade atual e que devemos eliminar do nosso dia-a-dia.
Como nós podemos prevenir e banir estes erros da comunidade? A resposta está na cultura, sem agir como ditadores, nós podemos ajudar nossos filhos, criando conceitos e noções de comportamento e pensamentos, com o intuito de criar uma boa personalidade, de criar uma boa comunidade; claro que diferenças sempre irão a existir, porem, nós devemos ensinar aos nossos filhos a noção de se ter uma boa personalidade, de se ter um bom Orí.
O ato de iniciação é considerado hoje em dia, um capricho, de adquirir e agregar quantos indivíduos puder, numa disputa de gerar uma prateleira cheia de obrigações, para provar quem tem mais troféu do que a outra casa. Para assim, expor os filhos como celebridades adquiridas, sem se importarem com o caráter, pois, mais vale um único iniciado e com caráter formado, do que vários, que não poderão levar seu nome a diante. Pior ainda, a maioria nem leva seu nome, abandonam logo nos primeiros anos, e se governam, um ato que rompe com a família e gera um caos na comunidade.
Claro que nem todos são punidos, cabe aos que são antigos e tiveram seus zeladores falecidos, decidirem, se governar ou ir para a mão de outro, porém, na maioria dos casos, o iniciado briga com o seu zelador, abandona a casa e começa se cuidar sozinho. Alguns nem sabem fazer, mas se metem a fazer...
Noção de Pessoa
O ritual do Batuque se divide em algumas iniciações começando pelo culto ao Orí (cabeça), um conceito ainda pouco comentado, mas que começa a despertar interesse aos iniciados da religião.
Orí (divindade da cabeça) para o povo Yorùbá é a mais importante de todas as divindades para cada ser humano, a Orí, é a primeira a ser cultuada, sem ela consentir nem uma divindade pode ser iniciada, se “Orí” não permitir, não tem como dar de comer a um Òrìsà na cabeça de ninguém. Por isso é costume o sacerdote consultar a Orípara poder saber sua vontade antes de iniciar ou dar feitura a qualquer elegun (médium).
E ele pode exigir comer qualquer animal, mesmo que não haja ligação com o Òrìsà daquele elegun, afinal a Orí é uma divindade e pode exigir comer o que quiser. Sendo que o mais comum são Pombos brancos, peixe, igbín, angolistas, aves de plumas, podendo acrescentar animais de quatro patas de pequeno porte (cabritos e carneiros).
Porém, no Batuque, associa a mesma com o Òrìsà do iniciado, colocando os dois para comer junto, mas se o Orí é uma divindade como os dois precisam comer juntos? Daí que surge a confusão ritualística do Òrìsà comer ao lado da Orí, sendo que cada um é distinto, e não se deve misturar. Quando Orí come, Òrìsà não come, e vice-versa. 
Também é necessário esclarecer que, no assentamento de Orí não vai okuta (pedra de assentamento), pois Orínão é sento com okuta. Portanto, no ‘bo, não deve ter okuta de espécie alguma, nem para Òrìsà, nem para Orí.


Que a Divina Luz esteja entre nós
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com
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