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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quando o Preto Velho se torna sábio


Quando o velho se torna sábio, é porque suas experiências foram cicatrizadas em sua mente, que coisa tola é não entender o rumo da conversa quando se esta a frente do bondoso velhinho negro, velhinho este que já viu muita coisa e pra contar todas elas, basta sentar-se em um banquinho e uma puxada forte em seu cachimbo, já viu o homem temer a morte, muitas vezes a sua e também a de irmãos e amigos, viu também a fartura dos campos regados pela chuva, ouviu os cantos dos pássaros, alegres na construção da família, viu a natureza se fazer também na caça dos mais fortes para preservação da espécie, a transformação do aprendizado carpinteiro em agonia ao presenciar a destruição das aldeias, sofreu muito com a escravidão do índio e do homem negro, com a fome sentiu a carne dentro de si desfalecer, sentiu o frio da senzala e a fome da divisão da pouca comida, mesmo debilitado colocou sua ferramenta nas costas e caminhou para a lavoura de café, sua defesa e suas orações estava em um Santa esculpida em um pedaço de madeira, ao qual não faltava-lhe um toco de vela, seus pertences eram poucos, mas sábio, soube cuida-los como relíquias, moeda de troca na senzala somente a troca da lida quando chega a doença, favor este recíproco pois de muitos males sofrera junto com seus irmãos, são detalhes que de pouco importaria aos senhores mandantes, pois da casa grande ouvia-se suas gargalhadas nas festas, sobravam-lhes aguardar a manhã seguinte, para no descaso das sobras e dejetos recusados, alimentos que saciariam a fome dos animais e dos escravos, tantos anos se passaram e muito não mudou, pois ainda homens recebem a oferenda pobre dos restos do povo mais abastardo, fileiras se postam diante do prato de comida hora ofertado, hora excluído em latas de lixo, ainda será dos pobres e humildes o Reino do Céu, no frio da noite a ignorância é coberta por aqueles que não repartem seus cobertores, a chuva fina é trancada através da janela deixando também do lado de fora a caridade, o ciclo continuará ainda por anos a fio, contribuindo para a formação do exercito de desesperados após a redenção, tolos homens que perduram a procura da fortuna, e não sabem que se faz o Reino do Céus a partir do Reino da Terra, Terra esta arquitetada por um Pai Maior, que estará a frente de todos na Justiça Divina.
Poder voltar aqui é um privilegio para quem já se foi, voltar e sentar em um banquinho e poder ajudar a mudar algumas pessoas é maravilhoso, também é para aquele que empresta seu corpo a uma entidade de luz, formando-se esta dualidade, poupando um pouco o sofrimento daqueles que o procuram, baforar o cachimbo na retirada dos males aqui encarnados, voltar a terra que de lagrimas deixou muitos olhos quando se foi, poder caminhar com dificuldade mas objetivo a imagem do Pai celestial novamente, poder sentir com as mãos o fervor dos consulentes em oração, reunir-se com outros irmãos o pé da vela acesa em sua homenagem, constituir amor e gratidão, construindo templos a virtude e muralhas ao vicio, minimizando o carma dos aflitos, como folhas secas da arvore da vida cobre os caminhos fertilizados pela sabedoria.
Este Preto Velho, fora mais longe que muitos que conhecera em sua vida, morrera humilde e com trapos fora enterrado, no peito somente fora colocada a Santinha esculpida nas noites de frio, seus pertences eram poucos não houve nem divisão aos que ficaram, flores não tinham mas o branco dos seus cabelos enfeitaram-no como se fossem Lírios do Campo, foi-lhe concedido seu ultimo desejo ser enterrado na mata, perto de uma pedreira, frente a uma cachoeira, pedira em vida que não teria reza, mais somente alguns versos que entoava sempre quando estava feliz, e assim se fez o ultimo pedido deste Preto Velho.

Oxalá meu Pai
Tenha pena de nos tenha dó
Oxalá meu Pai
Tenha pena de nos tenha dó

Se as voltas que o mundo da Oxalá
Seus poderes são maior.

Oxalá meu Pai
Tenha pena de nos tenha dó
Oxalá meu Pai
Tenha pena de nos tenha dó

Se as voltas que o mundo da Oxalá
Seus poderes são maior.

Autor Emidio de Ogum

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