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domingo, 6 de junho de 2010

Ifá o oráculo do antigo Egito


IFÁ é um oráculo que, segundo consta, nasceu no Antigo Egito e migrou para a África Ocidental, especialmente para as regiões onde hoje estão localizados a Nigéria e Benin. Nestas terras encontrou condições de desenvolver-se e estabelecer-se até nossos dias, tendo chegado a Cuba e ao Brasil no século passado com os escravos Nagôs. Infelizmente, os últimos sacerdotes de IFÁtradicionais do Brasil morreram há algumas décadas, o que não ocorreu em Cuba, por particularidades históricas. Atualmente, apesar da Revolução Socialista Cubana, existem cerca de quatro mil Babalawos consagrados, mantendo viva e aprofundando a tradição de IFÁ.

Este oráculo é composto por 256 signos ou odun de IFÁ, cujo corpo literário contém, pelo menos, 101 histórias relacionadas a cada um deles. Neste contexto, é possível entender o passado, o presente, o futuro, a origem mística de todas as coisas, a psicologia humana, as formas de pensar e atuar da Humanidade, as doenças espirituais, a cura pelos ritos e a farmacologia vegetal.
A concepção do ifismo – o universo de IFÁ – é a doutrina do pensamento tradicional Yorubá, por excelência; é o porta-voz e intérprete dos Orixás junto aos homens; é a expressão condensada da sabedoria que chegou a nós em forma de parábolas e metáforas. Os ensinamentos, que dele podemos adquirir, depende de como cada qual analise e aplique os conselhos recebidos através da interpretação, feita pelo sacerdote, do oráculo.
Para dimensionar IFÁ é necessário explicar sua origem e missão. No princípio do mundo só existiam nosso criador, Olofin, e o nada. Só ele e sua altíssima vibração. Não havia tempo nem espaço,. Então, ele decidiu pôr em marcha o tempo, originando inúmeras outras vibrações, suaves, que teceriam o Universo.Olofin soprou mais forte e, das partículas de seu hálito, formaram-se as estrelas e os planetas. Olofin emitiu finos assobios e, deles, surgiram as diferentes divindades. Ele determinou que as coisas ficassem separadas uma das outras: adiante, atrás, em cima, embaixo, originando o espaço. Olofin fez com que tudo tivesse um passado, um presente e um futuro.
IFÁ nasceu de Olofin, para benefício da raça humana. Fez um inventário do que havia sido criado e organizou a escala de valores. Nesta escala, IFÁ posicionouOlofin no grau máximo; num inferior a este, Olodumare e Olorun. Ele próprio ocupou, junto com Obatalá e Oduduwa, um degrau anterior a este último. Porém, Oduduwa ficou na frente, governando a trilogia.
Dentro deste processo, desceram ao plano terrestre os três grandes benfeitores da Humanidade: OduduwaIfá e Obatalá. O primeiro lançou mão de uma parte da legião de espíritos que o cercava e os instruiu em relação a tarefa que teriam daí para diante. IFÁ modelou um corpo de pouca densidade, semelhante ao físico que teria a nova espécie em fase de criação. Cada espírito, orientado porOduduwa, ocupou um dos corpos astrais elaborados por IFÁ. Nessa morada semi-material, passaram a vagar sobre a Terra como fantasmas.

Naquele momento, Obatalá começou a delinear uma espécie, destinada a superar os outros animais. Para tanto, mesclou e combinou os elementos evolutivos necessários, dando forma ao ser humano: duas pernas para sustentá-lo firmemente, na posição vertical, própria de um rei; dois braços fortes, para dominar as outras espécies; um coração grande e um peito poderoso para guardar a força vital; uma cabeça com os melhores sentidos, para observar e perceber o meio a seu redor; um sistema nervoso complexo, fluidos e músculos, ficando, assim, consumada a obra do grande construtor do homem.

IFÁ ocupa um lugar muito significativo para os Yorubás, que vêm o mundo dividido em dois reinos diferentes, ainda que inseparáveis: AJE, o visível, o mundo concreto em que vivemos e ORUN, o invisível, o reino espiritual dos ancestrais e Orixás. Este conceito do mundo é comparado a uma cabaça esférica, cujos hemisférios superior e inferior são como duas cuias, uma voltada para outra. A superfície central plana é uma bandeja divina, redonda, sobre a qual esta cultura representa, através de símbolos, objetos, animais e pessoas.

Os Yorubás acreditam que o mundo é como um círculo com linhas que se cruzam. Existem, também, estudos de desenhos de situações com implicações temporais, que dão a real dimensão da importância do entendimento do passado para compreensão do presente. Acreditam que a pessoa vive, morre e que todos os indivíduos descendem de um dos ancestrais do pai ou da mãe. Em função disso, os rituais são eficazes quando realizados levando-se em conta o passado de cada um e criativamente adaptados ao presente.

O instrumento mais importante, para a adivinhação através de IFÁ, é um conjunto de dezesseis sementes da palmeira do dendê, com aproximadamente três centímetros de diâmetro cada uma e de formato oval, usado, também, durante os rituais. Isto distingue o oráculo de IFÁ dos outros sistemas que utilizam um número diferente ou outro tipo de semente.




Nesse jogo estão representadas dezesseis divindades chamadas Odun, palavra que significa figura ou chefe. Da combinação destes dezesseis Odun principais, denominados meyi, derivam os omolu, formando, assim, os 256 Odu que compõem o oráculo.

Outro instrumento de adivinhação, utilizado pelo sacerdote, é o opelê, a corrente divina, em função de sua facilidade de manipulação. Ela tem cerca de oitenta centímetros de comprimento e consiste em oito metades de sementes unidas por uma corrente. No meio há um intervalo maior entre elas, por onde o Babalawo a segura, ficando , assim, quatro metades de sementes para cada lado, em pares. Ela é atirada, sobre a esteira, com a mão direita e, segundo a posição em que cai cada uma, côncava ou convexa, fica descrita uma figura correspondente a um dos 256 Odu.
Sociedade de IFÁ e Cultura Afro-Cubana no Brasil convida todas as pessoas interessadas a conhecer e compartilhar do trabalho que está sendo realizado. Este intercâmbio é fundamental para estreitar as relações entre IFÁ e o CANDOMBLÉ, já que estas sempre foram boas e serão melhores a cada dia, visto que, não se trata de religiões diferentes ou divergentes. Pelo contrário, têm a mesma origem e cultuam os mesmos Orixás. Na verdade, o que as diferencia é o modo de comunicação com os Orixás, a forma de transmissão do conhecimento e os rituais de iniciação.



A consagração de um Babalawosacerdote de IFÁ, só é possível mediante o trabalho conjunto de oito ou mais Babalawos, sob a direção de um Obá, sacerdote com experiência na direção dos rituais. Desde o primeiro dia, introduz-se o novo awó na arte da adivinhação, fornecendo-lhe o material de estudo e trabalho necessário. Já, um iniciado dentro do Candomblé pode comunicar-se com os Orixás através da incorporação ou consultando o oráculo deMeridilogun, cujo mediador é Elegbara, também conhecido como Exú.

Em um signo de IFÁ, chamado OGUNDA KETÉ, relata-se como todas as religiões podem conviver harmoniosamente.
“Um dia, Orumilá, que é entidade ou Orixá mentor deste Oráculo, recebeu a visita de um religioso. Este veio pedir-lhe ajuda, porque em seu povo, devido à diversidade de religiões, as pessoas não se entendiam e cada qual pensava ser dono da verdade.
Orumilá, após consultar IFÁ, disse-lhe: - Não haverá mais problemas, quando todos compreenderem que as religiões convergem, ao final, a um único ponto: a FÉ e que a paz está na visualização das virtudes do outro.
O religioso retornou e transmitiu o conselho recebido: - Quando vocês começarem a observar e valorizar as qualidades do seu semelhante, sem levar em conta as diferenças religiosas, todos conseguirão viver em paz.”
 


Paz Amor e Harmonia
Emidio de Ogum
http://espadadeogum.blogspot.com

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