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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Umbanda religião brasileira e seu início


Religião de raízes antiqüíssimas, cujas origens remontam a eras anteriores ao Cristianismo, sua liturgia encontra-se a cada passo do Velho e do Novo Testamaneto, nos Templos do Egito e da Índia antiga e na própria Igreja Católica. Por mais remota que seja uma religião, nela encontraremos os vestígios da Umbanda; ou, sob outro ponto de vista, de cada uma delas a Umbanda dos nossos dias colheu uma contribuição para consolidar a sua própria liturgia.Mas assim como a velha religião mosaica, à qual pertenciam os homens que falavam face a face com o próprio Deus, teve que ser expurgada por Jesus de todo rito impuro, a Umbanda deixou para trás a seita que os cientistas classificaram de animismo fetichista e, libertada dos rituais pesados, complexos e, por vezes, contrários ás normas de bondade, caridade e perdão, passou a ser o caminho mais simples e acessível para o homem se reaproximar do Criador.José Álvares Pessoa (1944)Os conceitos de Zélio de Moraes são hoje defendidos e propagados pela Aliança Umbandista do Estado do Rio de Janeiro que, desde sua fundação, levantou a bandeira do Caboclo das Sete Encruzilhadas e defende sua doutrina. Temos certeza de que jamais os ideais de Zélio de Moraes serão esquecidos pela ALUERJ e suas filiadas, que se dedicam à Linha do Caboclo das Sete Encruzilhadas, com a disposição de continuarem sempre dentro dessa linha de trabalho que será, mais hoje mais amanhã a que definirá os rumos verdadeiros da Umbanda.Floriano Manoel da FonsecaEm fins do século passado existiam, no Rio de Janeiro, várias modalidades de culto que denotavam nitidamente a origem africana, embora já bem distanciadas da crença trazida pelos escravos. A magia dos velhos africanos, transmitidas oralmente através de gerações, desvirtuara-se, mescladas com as feitiçarias provindas de Portugal onde, no dizer de Morales de los Rios, existiram sempre feitiços, rezas e superstições.As “macumbas” – mistura de catolicismo, fetichismos negros e crenças nativas – multiplicavam-se; tomou vulto a atividades remunerada do feiticeiro; o “trabalho feito” passou à ordem do dia, dando motivo a outro, para lhe destruir os efeitos maléficos; generalizam-se os “despachos”, visando obter favores para uns e prejudicar a terceiros; aves e animais eram sacrificados, com as mais diversas finalidades; exigiam-se objetos raros, para homenagear entidades ou satisfazer elementos do baixo astral. Sempre, porém, obedecendo aos objetivos primordiais: aumentar a renda do feiticeiro ou “derrubar” – termo que está muito em voga – os que não se curvassem ante os seus poderes ou pretendessem fazer-lhes concorrência.Os Mentores do Astral Superior, porém, estavam atentos ao que se passava. Organizava-se um movimento destinado a combater a magia negativa que se propagava assustadoramente; cumpria atingir, de inicio, as classes humildes, mais sujeitas às influencias do clima de superstições que imperava na época.Formaram-se, então as falanges de trabalhadores espirituais, que se apresentariam na forma de Caboclos e de Pretos Velhos, para mais facilmente serem compreendidos pelo povo. Nas sessões espíritas, porém não foram aceitos; identificados sob essas formas, eram considerados espíritos atrasados e suas mensagens não mereciam nem mesmo uma análise. Acercaram-se dos Candomblés e dos cultos então denominados “baixo-espiritismo”: as “macumbas”. É provável que nestes, como nos Batuques do Rio Grande do Sul, tenham encontrado acolhida, com a finalidade de serem aproveitados nos trabalhos de magia, como elementos novos ao velho sistema de feitiçaria.A situação permanecia inalterada, ao iniciar-se o ano de o ano de 1900. as determinações do Plano Astral, porém deveriam cumprir-se.Em 15 de novembro de 1908 compareceu a uma sessão da Federação Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de tradicional família fluminense. Chamava-se Zélio Fernandino de Moraes. Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentando em vão identificar. Sua recuperação inesperada causara surpresa. Nem os doutores que o assistiam, nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível. A família atendeu, então, a sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação.Zélio foi convidado a participar da Mesa. Iniciados os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de índios e de escravos. O dirigente advertiu-os que se retirassem. Nesse momento Zélio sentiu-se dominado por uma força estranha e ouviu sua própria voz indagar porque não eram aceitas as mensagens dos negros e dos índios e se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam. Essa observação suscitou quase um tumultuo. Seguiu-se um dialogo acalorado, no qual os dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se manifestava e mantinha argumentação segura. Afinal, um dos videntes pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz.- Se queres um nome – respondeu Zélio involuntariamente – que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados.E prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer as bases de um culto, no qual os espíritos de índios e escravos viriam cumprir as determinações do Astral. No dia seguinte, declarou ele, estaria na residência do médium, para fundar um templo, simbolizando a verdadeira igualdade que deve existir entre encarnados e desencarnados.- Levarei daqui uma semente e vou plantá-la nas Neves, onde ela se transformará em árvore frondosa.No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência da família do jovem médium, na Rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, bairro de Niterói, a entidade manifestou-se, pontualmente no horário previsto – 20 horas.Ali se encontravam quase todos os dirigentes da Federação Espírita, amigos da família, surpresos e incrédulos o grande numero de desconhecidos, que ninguém poderia dizer como haviam tomado conhecimento do ocorrido. Alguns aleijados aproximaram-se da entidade, receberam passes e, ao final da reunião, estavam curados. Foi essa uma das primeiras provas da presença de uma força superior.Nessa, reunião, o Caboclo das Sete Encruzilhadas estabeleceu as normas do culto, cuja prática seria denominada “sessão” e se realizaria à noite, da 20 às 22 horas, para atendimento publico, totalmente gratuito, passes e recuperação de obsedados. O uniforme a ser usado pelos médiuns seria todo branco, de tecido simples. Não se permitiria retribuição financeira pelo atendimento ou pelos trabalhos realizados. Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques nem de palmas ritmadas.A esse novo culto, que se alicerçava nessa noite, a entidade deu o nome de UMBANDA e declarou fundado o primeiro templo para a sua prática, com a denominação de Tenda Nossa Senhora da Piedade, porque:“assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria os que ela recorressem, nas horas de aflição”.Através de Zélio manifestou-se nessa mesma noite, um Preto Velho, PAI ANTONIO, para completar as curas de enfermos iniciadas pelo Caboclo. E foi ele quem ditou este “ponto”, hoje cantado no Brasil inteiro.

“Chegou, chegou, chegou, com Deus
Chegou, chegou, o Caboclo das Sete Encruzilhadas”.
Pai AntonioA partir dessa data, a casa da família de Zélio tornou-se a meta de enfermos, crentes, descrentes e curiosos. Os enfermos eram curados; os descrentes assistiam a provas irrefutáveis; os curiosos constatavam a presença de uma força superior; e os crentes aumentavam, dia a dia.Cinco anos mais tarde, manifestou-se o Orixá Male, exclusivamente para a cura de obsedados e o combate aos trabalhos de magia negra.Passados dez anos, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou a segunda etapa da sua missão: a fundação de sete templos, que deveriam constituir o núcleo central para difusão da Umbanda.A Tenda da Piedade trabalhava ativamente, produzindo curas, principalmente a recuperação de obsedados, considerados loucos na época. Já então se contavam às centenas as curas realizadas pela entidade, comentadas em todo o Estado e confirmadas pelos próprios médicos que recorriam à Tenda, em busca de cura dos seus doentes. E o Caboclo indicava, nas relações que lhe apresentavam com o nome dos enfermos, os que poderia curar, eram os obsedados, portadores de moléstia de origem espiritual; os outros dizia ele, competia à medicina cura-los (Relato de Martinho Mendes Ferreira). Zélio, já então casado, por determinação da entidade, recolhia em sua residência os enfermos mais necessitados, até o término do tratamento espiritual. E muitas vezes as filhas, Zélia e Zilméia, crianças ainda, cediam o seu aposento e dormiam em esteiras, para que os doentes ficassem bem acomodados.Nas reuniões de estudo que se realizavam às quintas-feiras, a entidade preparava os médiuns que seriam indicados, posteriormente, para dirigir os novos templos. Fundaram-se assim as Tendas Nossa Senhora da Guia, Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara, São Pedro, Oalá, São Jorge e São Jerônimo. Seu dirigentes forma: Durval de Souza, Leal de Souza, João Aguiar, José Meireles, Paulo Lavois, Joâo Severino Ramos e José Álvares Pessoa, respectivamente.Pouco depois, a Umbanda começou a expandir-se pelos Estados. Em São Paulo fundaram-se na capital, 23 tendas e 19, em Santos. E a seguir em Minas, Espírito Santo, Rio Grande do Sul. Em Belém – relata Evaldo Pina – fundou-se a Tenda Mirim de São Benedito, dirigida por Joaquim e Consuelo Bentes. Ele, capitão do Exercito, que servia na Capital da Republica, transferiu-se para o Pará, exclusivamente para levar a mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas.Confirmaram-se a frase pronunciada na Federação Espírita: “Levarei daqui com semente e vou planta-la nas Neves, onde ela se transformará em arvore frondosa”.Em 1937, os templos fundados pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas reuniram-se, criando a Federação Espírita de Umbanda do Brasil. E, em 1947 surgiu o JORNAL DE UMBANDA que durante mais de vinte anos foi um órgão doutrinário de grande valor.Floriano Manoel da Fonseca acompanhou Zélio de Moraes na instalação das Federações umbandistas em São Paulo e Minas Gerais.É comum ouvir-se dizer que a Umbanda foi trazida ao Brasil pelos escravos. (grifo nosso)Entretanto, devemos considerar que a Umbanda surgiu sobre o amalgama das crenças existentes na época: os cultos negros, os nativos e o Cristianismo.Diz Cavalcanti Bandeira:“dos africanos vieram o nomes, ritual e costumes; dos índios, alguma denominações e outro costumes; dos espíritas, a doutrina filosófica moderna; do catolicismo, os Santos, os sacramentos e alguma coisa do ritual, dos orientais, todos os fundamentos teológicos.”

A crença dos Negros desempenhou papel relevante, na formação da UMBANDA, da qual constituiu um dos principais alicerces, dando-lhe, como contribuição primordial, os Orixás. Em sua pratica a Umbanda aproximou-se mais da origem nativa, na estrutura, porém prevaleceu a influência africana.Os conceitos de Reencarnação e da comunicação com os desencarnados já existentes nesses cultos, foram reforçados pelo Espiritismo, através de sua doutrina esclarecedora. O Catolicismo deu valiosa contribuição à Umbanda, em grande parte por influencia do negro, ao qual havia sido imposta a assimilação do Orixá ao Santo e também através dos primeiros médiuns, umbandistas, ainda afeiçoados à religião dominante na época.Umbanda é produto de uma evolução religiosa. Suas origens encontram-se nas filosofias orientais – fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado. E a sua implantação em nossa terra, deu-se com a fusão das práticas, dos conceitos e crenças do negro, do branco e do índio.O emprego do termo Umbanda pelo CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, pela primeira vez para definir um culto religioso, no Brasil, deu origem à controvérsias, anos após a fundação dos primeiros templos Umbandistas. Entretanto, podemos constatar que, embora existente no idioma africano, o vocábulo não era de uso corrente nos Candomblés e nas seitas dele derivadas.No livro que reúne as teses apresentadas ao I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, realizado em 1941, o vocábulo UMBANDA é considerado de origem sânscrita: “a raiz mais antiga de que há registro acerca de UMBANDA encontra-se nos famosos livros da Índia, os “Upanishads”.Refere W.W. da Matta e Silva (“Umbanda de Todos Nós”, edição de 1956 páginas 12 e 13):“Verifica-se que até os anos de 1900, 1904, 1916 e 1917, os autores em pesquisas e apurados estudos, na época em que os Candomblés conservavam-se mais puros, não encontraram o vocábulo Umbanda”.Matta e Silva cita o testemunho de Waldemar Bento (“A Magia no Brasil”) Roger Bastides (“Imagens do Nordeste Místico”), Gilberto Freyre (“Estudos Afro-Brasileiros”), Nina Rodrigues (“O Animismo Fetichista dos Negros da Bahia”), João do Rio (“As Religiões do Rio”).Cavalcanti Bandeira reporta-se aos mestres do idioma africano, citando o vocábulo UMBANDA como “arte de curar”, “magia”, “faculdade de curar por meio da medicina natural ou sobrenatural”, ou ainda “os sortilégios que, segundo se presume, estabeleçam e determinam a ligação entre os espíritos e o mundo físico”.Voltemos novamente a Matta e Silva, que diz, à pagina 35 do livro citado:“O vocábulo UMBANDA só pode ser identificado dentro das qualificadas línguas mortas. Todavia, entre os angoleses, existe o termo Kimbanda, que significa sacerdote, invocador dos espíritos, firmado no radical “MBANDA”, conservado através de milênios, legado da tradição oral da raça africana, o qual é uma corruptela do original UMBANDA ou AUM-BANDHÔ…
E prossegue:“Toda essa complexa mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, evolvendo práticas fetichistas e barulhentas… era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo astral superior, feito pelos espíritos que se apresentara como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Práticas as mas confusas e desordenadas, envolvendo oferendas com sacrifícios de animais, sangue, etc… E por tudo isso fez-se imprescindível um novo movimento, dentro desse s cultos ou da massa de adeptos, feito pelos espíritos carmicamente afins a essa massa e pelos que, dentro de afinidades mais elevadas, se pautam no amor e na renuncia em pró da evolução dos seus semelhantes, que foi lançado através da mediunidade de uns e outros, pelos Caboclos e Pretos Velhos, com o nome de Umbanda. O termo Umbanda que eles implantaram no meio, para servir de bandeira a essa poderosa corrente, ensinaram que é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus…”RAMATIS, em “Missão dos Espiritismo”, observa:“os africanos praticavam a magia indistintamente, como um processo de dinamismo e ação no controle das energias do mundo oculto. Não se distinguiam a magia negra, como atividade maligna, ou magia branca, no sentido benfeitor, mas apenas a magia com os diversos processos de encantamento e feitiçaria… Antes da denominação de Umbanda, os ritos e intercambios mediúnicos eram somente conhecidos como Candomblé e macumba, sob o domínio completo do africano versado na magia…”

Emidio de Ogum

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